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Os impactos da pandemia na educação de autistas

De acordo com Ana Regina Caminha Braga, psicopedagoga especialista em Gestão
Escolar e Educação Inclusiva, o principal impacto da pandemia na educação de
autistas é a paralisação das terapias e as consequências  da interrupção de
atendimentos especializados. “Autistas precisam do acompanhamento
terapêutico adequado para verificar a rotina e saber como está o
funcionamento dentro de casa, além de monitorar as questões relacionais e
educacionais. Geralmente o acompanhamento diário é promovido na escola, que
ajuda na realização das tarefas e na interação com os colegas. A falta de um
auxílio atrapalha significativamente a evolução que é moldada no dia a dia”,
diz.

Mais do que pausar a evolução, o afastamento das terapias e acompanhamentos
durante o período de isolamento pode causar uma regressão no desenvolvimento
psicossocial da criança. “Em virtude de eles não terem as atividades
escolares sendo reforçadas todos os dias, principalmente as que envolvem o
aprendizado de conteúdo, acaba acontecendo um retrocesso”, explica a
especialista. “A evolução do autistas depende de rotina e sequência. A
interrupção deste ciclo pode fazer com que todo o  trabalho já desenvolvido
se perca”, completa.

Como amenizar os efeitos do distanciamento

De acordo com a especialista, mesmo sem o auxílio presencial da rotina
escolar e de acompanhamento profissional, é possível atenuar os impactos do
distanciamento. “Neste contexto, é necessário que os responsáveis mantenham
o contato com a escola semanalmente, para que esse autista veja o seu
professor, mesmo que no formato online, e para que o educador consiga manter
o diálogo mais próximo com o aluno, exercitando a rotina de apoios e
direcionamentos que ele precisa”, afirma Ana Regina Caminha Braga.

Além disso, quando tratamos das questões sociais, também é necessário tentar
manter as relações ativas, mesmo de maneira virtual. “Os pais e responsáveis
devem explorar os recursos e ferramentas disponíveis, como as videochamadas,
pois é de extrema importância garantir o contato e interação do autista com
outras pessoas. É importante que eles não deixem de ver as pessoas que eles
gostam, os familiares e amigos. Garantir esses laços afetivos, mesmo que de
forma remota, é fundamental”, destaca a profissional.

Para completar, Ana Regina explica que é indispensável manter a criança
autista estimulada. “As atividades que devem ser incentivadas nesse momento
são as com materiais concretos, como alfabeto móvel e brincadeiras antigas.
Também fazer com que essa criança tenha seus momentos de leitura, e reforçar
os métodos de comunicação alternativa para que eles possam seguir ampliando
a sua fala e interação, procurando sempre atividades com ilustrações. A
intenção é explorar a liberdade e interação com os brinquedos e atividades
que estão disponíveis em casa”, completa Ana Regina Caminha Braga.

Publicado em: 10/05/21 347


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