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Neurofilósofo Fabiano de Abreu aponta que a pandemia fez a procura por profissionais de saúde mental disparar

Publicado em: 25/07/20

Fabiano de Abreu, neurofilósofo e psicanalista, afirma que a pandemia tem
colaborado com o aumento dos casos de transtorno mental.

Ansiedade, desmotivação, medo, depressão, claustrofobia, TDAH, TOC, e
tantas outras enfermidades mentais estão sendo diagnosticadas durante a
pandemia do novo coronavírus. Os profissionais de saúde nunca tiveram tanta
demanda por seus serviços, neste momento em que o confinamento devido à
quarentena está afetando a pelo menos 20% da população mundial, segundo um
estudo da Universidad Complutense de Madrid (UCM).

O neurofilósofo, filósofo, neurocientista, neuropsicólogo e
psicanalista Fabiano
de Abreu <https://www.instagram.com/fabianodeabreuoficial/> é um dos
especialistas que concorda com os resultados do estudo espanhol. Ele aponta
os motivos para a disparada de casos de transtornos como depressão,
ansiedade e transtornos de saúde mental: “É necessário um hormônio
neurotransmissor descontrolado para acarretar em diversos outros tipos de
doenças ou transtornos, seja de quem não tinha enfermidades, seja de quem
tinha propensão a ter, ou de quem já tinha e acentuou-se. O confinamento, o
receio econômico, o medo de ser infectado, a preocupação com os mais
próximos, tudo isso ativa o alerta de perigo. Veja como nosso organismo
responde ao perigo para entender como uma faísca, a ansiedade, pode levar a
tantos outros problemas.”

*Incerteza gera transtornos*

Segundo Abreu, a ansiedade é uma pendência que se caracteriza como
consequência da incerteza do futuro: “é o mecanismo de defesa natural para
que possamos ter a pulsão necessária, no caso mediante a ansiedade, para
agir em busca de uma saída do perigo.
O receio, que é o medo em diferente potência, faz com que o organismo
libere o hormônio cortisol, necessário para nos ajudar a sair de uma
ameaça, assim nosso cérebro entende o momento, como uma ameaça, derivado do
medo, aumenta-se então a produção de cortisol que aumenta a glicose
sanguínea e, esta por sua vez, é o combustível, a energia, necessária para
a ação.”

Embora o medo tenha sua função biológica, o especialista revela o viés
negativo do medo, quando sai do controle em situações como estas: “Isso até
então parece ser bom, mas quando esse mecanismo é acionado repetidamente,
torna-se prejudicial ao nosso sistema imunológico aumentando a morte
celular, os neurônios. Ou seja, a cada vez que nos estressamos ou entramos
em estado de pânico, ou quando temos um estresse contínuo, estamos matando
os nossos neurônios.”

*Adaptação às circunstâncias*

O neurofilósofo pontua que o tipo de resposta de cada indivíduo depende,
não somente da magnitude e freqüência do evento que leva à ansiedade que
promove o estresse como mecanismo de ação, como também da conjunção de
fatores ambientais e genéticos: “Assim como a capacidade individual de
interpretar, avaliar e elaborar estratégias de enfrentamento são parte da
personalidade do indivíduo que é moldada à partir da priori genética de
personalidade somando a fatores externos.”

*Relação da ansiedade com as doenças*

Abreu ressalta que a ansiedade que promove o estresse pode levar a
depressão: “a depressão está relacionada ao descontrole nos
neurotransmissores devido a traumas e acontecimentos estressores. As
chances da ansiedade se tornar uma depressão quando ela é contínua ou
acentuada, está relacionado aos fatores genéticos e possibilidades de
acordo com o tipo de vida do indivíduo.O comportamento é o melhor mecanismo
para não deixar chegar a esta doença.”

Além disso, pessoas que já possuem diagnósticos de quadros clínicos
depressivos e outros transtorno, podem ter seus efeitos agravados na
pandemia: “Em tempos de pandemia, todos esses fatores podem prejudicar quem
já possui o diagnóstico e também pode levar a depressão, quem tem propensão
a ela. Transtornos como claustrofobia podem ser acentuados com a condição
de permanecer em ambientes fechados, sendo necessário que esses indivíduos
possam buscar o meio externo mais vezes, assim como, tratamentos que
incluem um melhor controle mental, respiração entre outros métodos que
controlem a ansiedade.

Para pacientes com TOC (Transtorno obsessivo-compulsivo) e TDAH (Transtorno
de déficit de atenção e hiperatividade) a situação da pandemia pode
potencializar os sintomas: “Muitas doenças, transtornos e síndromes são
relacionadas à ansiedade, sejam doenças em que ela é o fator principal, ou
doenças em que ela pode potencializar a ansiedade trazendo maiores
consequências e levando a outras enfermidades.”

*Ajuda profissional em meio à crise*

Devido a isso, segundo Abreu, o número de procura pelos profissionais de
saúde mental como psicanalistas, psicólogos, psiquiatras e neuropsicólogos,
aumentou muito neste momento de pandemia: “Vivemos um momento em que a
atenção para o comportamento torna-se redobrado, e a necessidade de uma
auto análise é crucial para evitar danos maiores em nossas vidas, e das
pessoas que amamos. Assim como de toda humanidade pois, se grande parte das
pessoas não estão bem, elas não serão produtivas e não farão o que é bom e
necessário para a sociedade que fazemos parte. Num comboio social em que,
um precisa do outro de alguma maneira, precisamos cuidar uns dos outros.”

Jennifer da Silva
Suporte MF Press Global


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